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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

No fim de Outubro mudei-me de Jazan (a Odeceixe da Arábia Saudita), para a capital do reino. Uma pessoa às tantas farta-se de só haver escolha entre peixe grelhado ou biryani quando se quer jantar fora. Ou Applebee’s, quando estamos com preguiça de sermos nós a enfiar a comida no micro-ondas. Diz que não se deve regressar para onde já fomos felizes, mas também diz que não se deve acreditar em tudo o que nos dizem. Voltar ao sushi do Tokyo não me deixou infeliz, e ao Mama Noura (...)
"Ma Salama" é expressão Árabe para adeus. Mas não é bem um adeus à Portuguesa. Aqui tanto é utilizado por quem vamos ver logo à tarde, como por alguém que não sabemos se voltaremos a ver. É uma palavra comum na vida de expatriado na Arábia Saudita. Mas no entanto a nossa primeira associação é a de que vai haver festa. É a desculpa para organizar jantares de grupo com os amigos ou cafezinho com aqueles que não gostamos assim tanto. Serve para celebrar as histórias comuns (...)
18 Out, 2021

Al Waba, A cratera

Viajar na Arábia Saudita é uma aventura que já tive o prazer de realizar ao longo destes quase 6 anos.  Desde sempre que conduzir foi um dos meus prazeres e fazê-lo na Arábia Saudita é algo que me agrada bastante.  Estradas amplas, com kilómetros de cenários exóticos para quem normalmente fazia a A1 Norte Sul. A minha noção de distância ficou alterada e hoje quando conduzo em Portugal as distâncias que antes me pareciam verdadeiras viagens passaram a ser já ali. A Arábia (...)
Há expressões americanas que não têm tradução decente para português, e não conheço expressões portuguesas equivalentes, para o equilíbrio entre trabalho e lazer. Há um ditado que diz primeiro a obrigação, depois a devoção, mas assim de repente não se me ocorre mais nada. Bom, vem isto a propósito da Gala Anual da Aspas (Associação dos Portugueses na Arábia Saudita), e do lazer associado ao convívio de copo na mão. Na Arábia Saudita trabalha-se muito. Naturalmente, (...)
Al Balad, é uma porta para um mundo que já não existe mas que ainda aqui está. Al Balad, é o bairro que em a ASAE não entra porque não saberia por onde começar. Al Balad, é um tratado de construção que questiona as leis dos Engenheiros e mostra que os castelos de areia não são só para putos. Al Balad, tem ruas que serpenteiam e nos fazem perder o Norte. Al Balad, é um sítio de negócios onde Homens compram e Homens vendem. Al Balad, é um sítio onde os negócios se fazem (...)
Quando eu aqui cheguei, os restaurantes (e não só), eram segregados, homens solteiros para um lado, o resto para o outro, designado por “Famílias”. A primeira vez que me sentei na zona de Famílias foi por ocasião de um jantar de expatriados portugueses, e rapidamente percebi a diferença: crianças por todo o lado, gritam, correm, há comida pelo ar (não há, mas se houvesse não estranharia). Pelo contrário, a área dos solteiros é quase como um clube de cavalheiros, dos (...)
Os dias continuam quentes, mas os loucos 50 graus de Agosto já passaram. Agora as máximas já não passam dos 43. As folhas secas de Outono aqui não existem, mas já se sente a vontade de fugir para o Deserto sempre que possível. Acampar na Arábia Saudita é um desporto, que a ser de competição seria facilmente vencido pelos verdadeiros Sauditas. Atletas olímpicos em fugir da cidade e apreciar uma boa fogueira, uma boa “kabsa” e uma boa “shisha”. Aqui os jipes servem mesmo (...)
Bom, não foi bem salvar a vida, foi mais evitar uma situação desagradável, vá. A minha aventura no Médio Oriente começou em Riade, em 2015, e havia muita cidade para explorar. A família tinha ficado em Portugal, o Pokemon Go, era uma forma de me relacionar com o adolescente mais velho. E impressionar o puto, com os bicharocos que se apanhavam por aqui, pouco comuns em Portugal. Adiante. Ou antes, para trás, para trás, um pouco (só um bocadinho) de história do desenvolvimento (...)
Para um jovem rapaz dos anos 80 o Médio Oriente será sempre o país onde o petróleo nasce nas traseiras das casas. O sítio onde a água é mais cara que a gasolina. E para um jovem adolescente, os motores que o petróleo move são mais interessantes que os interesses movidos pelo petróleo. Não sou decerto um “petrolhead” fundamentalista, mas os carros sempre foram para mim um gosto especial. As fichas técnicas e os últimos modelos foram sempre informações que devorei e (...)