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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Para um jovem rapaz dos anos 80 o Médio Oriente será sempre o país onde o petróleo nasce nas traseiras das casas. O sítio onde a água é mais cara que a gasolina. E para um jovem adolescente, os motores que o petróleo move são mais interessantes que os interesses movidos pelo petróleo. Não sou decerto um “petrolhead” fundamentalista, mas os carros sempre foram para mim um gosto especial. As fichas técnicas e os últimos modelos foram sempre informações que devorei e memorizei com uma facilidade que fazia inveja a fórmulas matemáticas e químicas.

Já nos anos 2000 foi o sonho dos Emirados e das maravilhas automóveis “abandonadas” que continuaram a alimentar essa paixão.

Deu-se o destino que viesse viver um dia neste país. Coisas do destino, ou talvez não.

E a verdade é que para alguém com este gosto este é o lugar certo para se estar. Mas no fim percebemos que nem tudo era como imaginávamos. Afinal os super carros abandonados são só carros que estavam na rua num dia em que a tempestade de areia passou. Que por cada “Rolls Royce” que vemos, temos de aturar 683 Hyundai Accent branco a querer passar à nossa frente. Que os jipes Toyota Land Cruiser passaram a ser as Ford Transit que enchem a 2ª Circular.

Aqui visitar um stand de usados, serve para juntar na mesma sala “climatizada”, um Bugatti Veyron, um Pagani Huayra, um La Ferrari (cough, cough, nerd talk bem sei). Mas isto apenas junto à porta entrada, que os Urus estacionados ao fundo da sala sãos as carrinhas Audi A4 de serviço portuguesas e essas na verdade já não fazem vista gorda a ninguém. É também a terra onde os “muscle cars” dos sonhos de menino são carros do dia a dia ou até mesmo um Uber, naquele dia que temos mais sorte.

Mas o dia mesmo bom, foi quando aconteceu o “Riyadh Car Show”. Durante uma semana estiveram na cidade as melhores máquinas que o dinheiro pode comprar. Os leilões bateram recordes mundiais. E por dias eu estive no centro do mundo que sonhei enquanto cresci.

E foi aqui que até o “Grave Digger” e os amigos camiões monstros que eu via na televisão fazerem saltos que não pareciam reais, eu vi voar. 

 

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