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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

04 Mar, 2022

Com Fusos

Multinacionais, literalmente. O ambiente de trabalho em qualquer empresa daqui é uma Torre de Babel, sauditas mais egípcios, jordanos, filipinos, sírios, libaneses, sudaneses, britânicos, americanos, espanhóis, mais um vasto etc., como seria de esperar num país em que os projectos são demasiado ambiciosos para os recursos humanos locais.

Frequentemente, essa ambição extravasa fronteiras, com a transição digital fica mais económico ter equipas em países onde os salários são mais baixos, como por exemplo o Egipto ou, também, Portugal.

Neste momento, o meu projecto envolve pessoas que estão em Chicago, Miami, Dubai, Cairo, Lisboa, Jeddah, Banguecoque. Ah sim, e Riade também.

E portanto há equipas com fusos horários atrasados 8 horas, outras 5 horas, 3 horas. Outras estão adiantadas  1 hora, 3 horas. 

O fim-de-semana também não é igual para todos, os países não-muçulmanos têm folga aos Sábados e Domingos, os muçulmanos às Sextas e Sábados. Só que entretanto os Emirados Árabes Unidos mudaram para Sábado e Domingo, e sexta à tarde também já não fazem grande coisa.

Marcar reuniões num ambiente destes pode tornar-se tão desafiador como marcar um jantar com ex-colegas da faculdade. Não pode ser à Sexta, que o pessoal daqui não está disponível, ao Domingo não estão os outros. Antes das 16:00 locais é demasiado cedo para os americanos, às 18h00 demasiado tarde para o pessoal dos Emirados.

E depois metem-se os feriados, Sauditas são só dois, mas depois mete-se também o 4 de Julho, e o 5 de Outubro, e o dia da fundação do Egipto… E o Natal, e o Ramadão…

Pelo menos a parte da língua não complica, toda a gente fala inglês, excepto, claro, os americanos (estou a brincar).

Uma consequência dessa dispersão é que quando uma reunião consegue ter a presença de toda a gente ao mesmo tempo, tende a arrastar-se por horas. Pelo menos, sendo online, as partes não directamente interessadas no tema em discussão no momento podem ir aproveitando para fazer qualquer coisa de útil, mas isso não será exclusivo daqui.

 

Quanto ao assunto do momento, a invasão da Ucrânia, mal se deu conta por aqui. Talvez seja um pouco como as pessoas no Ocidente vêem os conflitos desta zona, aparece nas notícias mas acontece lá longe, não tem impacto no dia-a-dia, ao contrário dos ataques de mísseis vindos do Iémen, que às vezes obrigam a cancelar os voos.

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