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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

16 Mai, 2021

HAJA SAÚDE

Vai bem, obrigado. 

O sistema nacional de saúde saudita baseia-se em hospitais públicos para os autóctones, gratuitos,  como seria de esperar. Consultas de especialidade podem ter listas de espera mais prolongadas, pelo que alguns complementam a coisa com seguros de saúde, normalmente por conta da empresa que os emprega.

Para os outros, os seguros de saúde são normalmente por conta da entidade empregadora. Ir ao hospital costuma ser um processo simples, admissão, triagem (no caso das urgências), consulta, imagiologia (se necessário), os resultados vão directamente para o computador do médico, e a prescrição vai directa para a farmácia no hospital. É só ir lá levantar a medicação, adeusinho e as melhoras. Tudo despachado numa única deslocação. 

Quando já há consulta marcada é ainda mais simples. A não ser que calhe no Ramadão. Nessa altura há fortes probabilidades da consulta ser agendada a partir das 21h00, e já me aconteceu estar no dentista à 1h30 da manhã. É mesmo de uma pessoa ficar de boca aberta.

Uma vez que o sistema para os não autóctones funciona muito à base de seguros (e como os locais também usam), os hospitais têm balcões de seguradoras, para resolver os assuntos na hora. A coisa está suficientemente informatizada para que as autorizações de meios complementares de diagnóstico demorem apenas alguns minutos. E os médicos não são meigos a pedir. Um diagnóstico de sinusite surgiu-me ao fim de um RX, uma TAC e uma ressonância magnética. Radiação suficiente para brilhar no escuro durante uma semana.

Quanto às instalações, os grandes hospitais são bem construídos, e bem equipados. Nas clínicas mais pequenas, tudo pode acontecer. Vejamos, a autorização de residência obriga a testes médicos, e a minha empresa da altura tinha um acordo com uma clínica baratinha, perto da sede. O interior era semelhante a um centro de saúde em Mem Martins, nos anos 70. A sala de espera do RX era dentro da própria sala de RX, a protecção do operador uma parede com cerca de 2,5m de altura e 1,2m de largura, e uma janela no centro. Para a colheita de amostras de sangue há um enfermeiro paraplégico, após a recolha coloca sobre a veia um pedaço de algodão, colado com uma tira de fita-cola, retirada do bordo da mesa de apoio, onde estão mais algumas penduradas. Para ser um filme de David Lynch só faltou a mulher do tronco.

Enfim, seja um hospital de topo ou uma clínica decrépita, o conselho do meu pai sobre os acidentes de automóvel aplica-se também às doenças: É melhor não ter.

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