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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Dia 25 de Dezembro de 2015, por volta das 12:45.

Sou o único cliente do restaurante do aeroporto internacional do Bahrein. Vazio, com excepção de dois ou três empregados. Acabaram de me servir um bife, demasiado passado, e uma cerveja. A janela dá para a pista, cinzenta, funde-se com o céu, também cinzento, e uns quantos aviões parados, são apenas silhuetas, ainda cinzentas.

Foi o meu primeiro, e até agora único, Natal no Médio Oriente. 

O Natal original até foi por estes lados, mas de Manama a Belém, na Palestina, ainda são 1800km.

Este foi um Natal triste, mais ainda que o primeiro sem a minha avó materna, é natural, mais tarde ou mais cedo acontece sempre o primeiro Natal com nova ausência dos ascendentes.

2015 foi o ano em que emigrei. Como recém-chegado à empresa, calhou-me a fava. E como ainda não tinha autorização de residência, o meu visto obrigava a vir a Portugal renová-lo a cada 90 dias, e a sair da Arábia Saudita a cada 30, normalmente através de voo até ao Bahrein, ida e volta no mesmo dia. Uma dessas saídas calhou precisamente no dia 25 de Dezembro de 2015. Desde então tenho tido a fortuna de poder estar em Portugal no Natal, mesmo em tempos de pandemia.

O Natal por aqui também mudou. Em 2015 mal se dava por ele fora dos compounds, as únicas decorações à venda eram fitas coloridas nas lojas de chineses, também servem para os Eids.

Nos compounds é diferente, e as comunidades de expatriados decoram os espaços, organizam eventos e ceias de Natal, entre os portugueses há sempre quem arranje bacalhau, sempre dá para matar a saudade.

Agora já há artigos de Natal à venda, pinheiros, luzes, fitas, renas, gnomos e afins. E lojas com montras decoradas a preceito, e pastelarias com cabazes de Natal, perdão, de Festividades, e Winter Wonderland.

Quem sabe, talvez um dia até haja um tronco a arder em frente à Catedral de Riade, à saída da Missa do Galo.

Até lá, Felizes Festividades.

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