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Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Gare do Oriente, Médio

Dois arquitectos portugueses emigram para o Reino da Arábia Saudita. Um escreve (às vezes também esquiça), outro fotografa.

Há expressões americanas que não têm tradução decente para português, e não conheço expressões portuguesas equivalentes, para o equilíbrio entre trabalho e lazer. Há um ditado que diz primeiro a obrigação, depois a devoção, mas assim de repente não se me ocorre mais nada.

Bom, vem isto a propósito da Gala Anual da Aspas (Associação dos Portugueses na Arábia Saudita), e do lazer associado ao convívio de copo na mão. Na Arábia Saudita trabalha-se muito. Naturalmente, também se festeja muito. Para evitar maçar as pessoas, vou resumir a coisa em dois tipos de eventos, formais e informais.

Os eventos formais são usualmente organizados por embaixadas, ou com o seu beneplácito, nas respectivas instalações. A maior parte das embaixadas está localizada no Bairro Diplomático, área de acesso controlado, no Sudoeste de Riade. É um bairro muito bem arranjado, das zonas mais agradáveis de Riade, onde as mulheres nem têm código de vestuário. Tipo o Restelo, mas sem vista para o rio. Nem croissants do Careca. E portanto cara, aquém das possibilidades da missão diplomática lusa (é o que dá não exportarem tanto como a TAP). Têm uma moradia jeitosa num bairro mais baratinho, mas muito bem localizado. Adiante. Além de eventos culturais (cinema, concertos, vernissages...), algumas embaixadas também organizam jantares dançantes. O acesso é limitado a uma lista de convidados seleccionados, os telefones espertos são proibidos (eu sei, estou a exagerar no aportuguesamento), as bebidas são genuínas e mais caras que no Lux. E é o mais parecido que se arranja.

Os eventos informais são normalmente organizados pelas pessoas que exploram escabelecimentos de restauração e bebidas, em compounds. O acesso costuma ser através de ligações aos residentes, que convidam amigos, conhecidos e afins. As bebidas são mais baratas, de fabrico artesanal. Por exemplo, a cerveja. Imaginem que pediram uma imperial (ou um fino, como preferirem) no princípio da noite. Esquecem-se dela no balcão e só vão bebê-la pouco antes de ser a altura de ir embora. É a isso que sabe. Nestes eventos, o controlo sobre smartphones (está bem, desisto) é mais difícil. E como já ninguém consegue divertir-se sem partilhar com meio mundo o quanto se está a divertir, e isto aqui é à vontade mas não é à vontadinha, volta e meia o estabelecimento é encerrado pela polícia, e os concessionários detidos.

Além disto, já vai havendo outro tipo de ofertas para tirar o pé do chão, tipo festivais de música electrónica, nunca fui, não me posso pronunciar.

E portanto, confirma-se, aqui trabalha-se muito, mas a gente também sabe divertir-se.

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